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terça-feira, 7 de julho de 2015

Fascinação para Julieta- que amava Carlos Galhardo.

*07/07/2015

Mãe, você estaria completando 92 anos de vida!
Aqui, eu conto um pouco da sua vivência pela trajetória com que suas mãos habilidosas vivenciaram, até repousarem para sempre, num certo dia, num certo leito de Hospital. Gratidão eterna, minha mãe querida, por estas mãos tão graciosas e delicadas com que me acolheram. Com o seu carinho e amor elas me empurraram sutilmente para a "Fascinação que é a Vida!"



Mãos que um dia colheram algodão 
estão ainda arranhadas
pelos espinhos da colheita.
Mãos que apanharam os frutos de café
são grossas, calejadas da enxada.



Mãos medrosas, inseguras
libertaram-se das correntes
por amar um jovem moreno.
Mãos suaves, ternas
que acariciaram Bernardo por toda existência
que era o amor da sua vida.



Mãos delicadas e sedosas, 
acalentaram seus cinco filhos. 
Mãos firmes, decididas
costuraram muitas botinas na fábrica de sapato.
Mãos que tremularam, gesticularam
em plena alegria de carnaval.



Mãos entrelaçadas, geladas
mãos dadas com seus filhos
na amargura da ditadura.
Mãos postas sobre o rosto
olhos em lágrimas
a incerteza do futuro.


Mãos singelas, modestas 
que fizeram as delícias
de tantos almoços dominicais.
Mãos gratas e generosas 
girando a colher de pau no tacho de cobre
fazendo a melhor das delícias,
seu doce de abóbora.



Mãos artísticas em ziguezague crochetando
tricotando ou pintando
seus panos de pratos.


Mãos experientes sujas de terra
replantando flores em seu jardim
dando cores 'a vida. 
Mãos queridas que me afagaram
enlaçaram-me no primeiro abraço de vida.


Mãos que ora me acolhe
seu colo me conforta
me protege.
Mãos trêmulas sobre o peito
que eu ainda as levo ao meu rosto
deixando-me acariciar.
Mãos brancas, apáticas
paralisadas, dolorosas 
das picadas da agulha.


Mãos quase inertes, repousam
sobre a minha mão
querendo algo me  dizer
implora e  nada sussurra

Mãos que (ainda) me aquece 
me fortalece
são exemplos da minha  vida.

Mãos ingênuas
Mãos de ouro
Mãos de fada
As mãos de minha Mãe!





Poema que fiz,
quando da sua internação no Hospital 
e para sempre, suas mãos descansaram!
fevereiro de 2010.

yaradarin



quarta-feira, 25 de março de 2015

Esmeralda e Julieta: comadres além da cerca

Esmeralda e Julieta: amizade eterna

Longe vai o tempo... Na época, as divisas entre as casas eram feitas com cercas de madeira. A nossa era com a casa de Esmeralda. Uma vizinha querida e amada por mamãe.
Creio que tinham a mesma idade. De tanto mamãe pressionar, papai não teve outra alternativa, a não ser colocar um portão no quintal para facilitar o entra-e-sai das amigas, tal era a cumplicidade entre as duas. Eu ainda era muito pequena mas lembro-me bem de Esmeralda, nome que eu achava lindo.

Esmeralda vivia em nossa casa. Trazia seu único menino, um deficiente mental, que ela tratava sempre carinhosamente. Esmeralda não tinha a beleza de mamãe. Tinha um semblante sofrido, apagado, mas dos seus olhos também verdes como os de mamãe, emanavam uma luz que eu não sabia distinguir. Qual seria o efeito que me causava? Hoje, eu diria que seria a luz dos anjos emanando vibrações de amor. Essa mulher só podia ser um anjo.

Uma tarde de verão, vi mamãe em lágrimas, se despedindo de Esmeralda. Fiquei observando-as de longe. Mamãe não se conformava com a mudança repentina de Joaquim. O marido de Esmeralda havia decidido retornar à sua cidade natal - longe de Marília. Isso significava um adeus de verdade, nunca mais haveriam de se encontrar. 

Por todo o tempo que viveu, mamãe jamais esquecia sua grande amiga e ainda no seu viver de pouca lucidez, me perguntava: "Será que Esmeralda já morreu, filha?".

Nunca soubemos o motivo exato da sua repentina mudança para Jaboticabal. O que posso dizer é que ela nunca foi esquecida por mamãe. Tampouco, por mim!

byyaradarin