Foto tirada enquanto brincávamos no terreiro
Era sempre mamãe que nos deixava na estação ferroviária de Marília, quando íamos de férias passar uns dias na casa da minha madrinha Celeste, prima de papai, em Paulópolis. Cidadezinha a 50 minutos de Marília. Mamãe nos acomodava nos bancos do vagão, enquanto ia fazendo aquele sermão de bom comportamento e obediência, pelo tempo que estivéssemos sob os cuidados da madrinha. Em seguida, despedia dos cinco filhos com um beijo sutil. Eu não tinha noção de saudade, porém, sentia um aperto no peito cada vez que me despedia dela. Sabia que ao anoitecer, eu me lembraria de mamãe com lágrimas nos olhos.
Paulo,o capataz do sítio já nos esperava na estação. Sempre pronto para qualquer ordem, era um empregado de confiança. Subíamos todos na carroça- sim, naquele tempo era o transporte do sítio até a cidade. Seguíamos aos solavancos por um longo trecho de terra batida até a chegada do sítio. Paulo conversava alegremente com meus irmãos, elogiava-os, dizendo que haviam crescidos desde a última vez que ali estiveram. Eu apenas observava-o, enquanto ele ia contando as façanhas de Ebreu, um lindo cavalo veloz, de pelo macio e brilhante que madrinha acabara de comprar.
Nossa chegada era comemorada com muita alegria pelas primas Marlene e Madalena. Marinalva, a terceira filha de madrinha era ainda um bebezinho. Finalmente, chegávamos para alegrar o silencioso sítio. A gente podia sentir o carinho e a dedicação a todos nós. Não deveria ser fácil para nossos primos nos receber com tanta disposição, afinal, um batalhão.
Os dias ensolarados e sem vestígios de nuvens passavam lentamente. Brincávamos com nossa prima Madalena em perfeita harmonia. Saíamos a andar a cavalo,por aqueles roçados, sem ter hora para voltar. Eu sempre disputava com o meu irmão Luíz o lugar na garupa do cavalo. E lá íamos nós, sempre aos pares e quando voltávamos do passeio trazíamos bananas, limões e laranjas colhidas do pé.
Marlene Leal, sempre teve o dom de locutora de rádio e anos mais tarde viria a trabalhar na Rádio Clube de Marília. Sendo a mais velha, passava horas com Mylton e Iracema em leitura de livros e ouvindo músicas. Minha madrinha Celeste e primo Otto, saiam cedinho para a lavoura, onde plantavam amendoim e batata.
Os dias ensolarados e sem vestígios de nuvens passavam lentamente. Brincávamos com nossa prima Madalena em perfeita harmonia. Saíamos a andar a cavalo,por aqueles roçados, sem ter hora para voltar. Eu sempre disputava com o meu irmão Luíz o lugar na garupa do cavalo. E lá íamos nós, sempre aos pares e quando voltávamos do passeio trazíamos bananas, limões e laranjas colhidas do pé.
Minha prima Marlene Leal- Locutora da Rádio Club de Marília
Marlene Leal, sempre teve o dom de locutora de rádio e anos mais tarde viria a trabalhar na Rádio Clube de Marília. Sendo a mais velha, passava horas com Mylton e Iracema em leitura de livros e ouvindo músicas. Minha madrinha Celeste e primo Otto, saiam cedinho para a lavoura, onde plantavam amendoim e batata.
Os pés descalços dava-nos a liberdade de correr pelo quintal de terra, pular amarelinha, onde tropeçávamos entre as galinhas, porcos e cachorros. E assim, passávamos a manhã brincando e só nos dávamos conta do tempo quando de longe sentíamos aquele delicioso cheiro de feijão temperado com bacon, feito no fogão 'a lenha. Então era chegada a hora de todos sentarem-se 'a mesa. Parecia um dia de festa. 'A refeição, não podia faltar a farinha de mandioca, costume nordestino, que me fazia lembrar de papai.
Um certo dia, Madalena vendo o Ivo despejar farinha no seu prato, sem disfarçar, comentou:- Sabia- todas as vezes que vocês vêm, o saco de farinha acaba! Bastou para que o Ivo ficasse ressentido e nunca mais quisesse voltar ao sítio.
Escurecia, as lamparinas eram acesas, pois não havia eletricidade e logo após o jantar, sentávamos no terreiro para apreciar o luar. Era um momento favorito, onde o céu estrelado desabrochava dentro de mim sentimentos que eu não conseguia definir, mas a beleza da música que ouvíamos distante trazia-me boas recordações e saudade de casa.
O instante da partida era sempre triste para todos. Porém, as lembranças dos gestos de ternura, simplicidade que se misturavam a sentimentos de amorosidade de todos, nos afagava a alma e voltávamos prontos para reiniciar mais um semestre escolar.



