Esmeralda e Julieta: amizade eterna
Longe vai o tempo... Na época, as divisas entre as casas eram feitas com cercas de madeira. A nossa era com a casa de Esmeralda. Uma vizinha querida e amada por mamãe.
Creio que tinham a mesma idade. De tanto mamãe pressionar, papai não teve outra alternativa, a não ser colocar um portão no quintal para facilitar o entra-e-sai das amigas, tal era a cumplicidade entre as duas. Eu ainda era muito pequena mas lembro-me bem de Esmeralda, nome que eu achava lindo.
Esmeralda vivia em nossa casa. Trazia seu único menino, um deficiente mental, que ela tratava sempre carinhosamente. Esmeralda não tinha a beleza de mamãe. Tinha um semblante sofrido, apagado, mas dos seus olhos também verdes como os de mamãe, emanavam uma luz que eu não sabia distinguir. Qual seria o efeito que me causava? Hoje, eu diria que seria a luz dos anjos emanando vibrações de amor. Essa mulher só podia ser um anjo.
Uma tarde de verão, vi mamãe em lágrimas, se despedindo de Esmeralda. Fiquei observando-as de longe. Mamãe não se conformava com a mudança repentina de Joaquim. O marido de Esmeralda havia decidido retornar à sua cidade natal - longe de Marília. Isso significava um adeus de verdade, nunca mais haveriam de se encontrar.
Por todo o tempo que viveu, mamãe jamais esquecia sua grande amiga e ainda no seu viver de pouca lucidez, me perguntava: "Será que Esmeralda já morreu, filha?".
Nunca soubemos o motivo exato da sua repentina mudança para Jaboticabal. O que posso dizer é que ela nunca foi esquecida por mamãe. Tampouco, por mim!
byyaradarin
