Primavera cereja
A primavera sempre exerceu um grande fascínio em minha vida. Ela é a minha planta preferida. Seu nome científico é bougainvillea glabra. Acredito que meu amor a essa planta esteja ligado a minha infância, ao contato carinhoso e diário de ver minha mãe cuidar de seu majestoso jardim colorido com primaveras de vários tons. Sempre teve a delicadeza no trato de plantas e não permitia jamais que alguém as tocassem. Poderíamos, sim, fotografá-las e apreciar tão somente a beleza de suas flores. E como eram belas! Cresciam e floresciam de tal forma que seus galhos pendiam e transpassavam pelo muro da casa do vizinho. Outras subiam em direção ao céu tomando a forma de uma grande árvore - um verdadeiro espetáculo da natureza!
Pá de jardim rendada
Primavera em lilás
Uma noite, entre amigas, sentadas no jardim ao lado desta primavera, céu coalhado de estrelas e enquanto tomávamos a brisa deliciosa que vinha do mar, comentei a minha decisão em cortar aquela primavera e disse a elas: -"Plantarei outra no lugar, afinal, primavera sem flores, não é primavera!".
Na manhã seguinte, retornei à São Paulo. Após um longo período de ausência, voltei à minha casa na praia. Era uma tarde quente e ensolarada quando chegando próxima a casa não foi a minha surpresa ao enxergar ao longe minha primavera repleta de flores em vermelho granada se esparramando toda pelo muro, tal uma cascata. Tão bela quanto eu havia imaginado. Não resisti a tanta emoção, chorei!
- Coincidência, eu pensei, lembrando da conversa com minhas minhas amigas naquela noite de verão. Como não, agora eu sabia com toda certeza! Era uma emoção reprimida, contida na alma daquela primavera e, desperta ficou assim que ouviu a minha decisão em cortá-la. Plantas têm sentimentos, sim!
Elas sentem e percebem quando são amadas e tratadas com carinho. E simplesmente agradecem assim, florindo!
Elas sentem e percebem quando são amadas e tratadas com carinho. E simplesmente agradecem assim, florindo!
Hoje, caminhando por uma alameda, deparei-me com uma imensa primavera de ramos floridos vermelhos caindo em profusão pelo muro, formando a tela de um quadro. Fiquei observando-a por alguns minutos com os olhos marejados, relembrando saudosamente da primavera que um dia tanto amei.
-Como ela estaria hoje, indaguei-me?
-Como ela estaria hoje, indaguei-me?
Estou longe mas ainda te amo, primavera!
Para você, minha doce mãe querida, amada Juju, eu lhe dedico essa história e agradeço por uma vida inteira de amor e dedicação a todas as plantas e o que semeaste em mim, especialmente as primaveras de todas as cores.
yaradarin






