Mãe, você estaria completando 92 anos de vida!
Aqui, eu conto um pouco da sua vivência pela trajetória com que suas mãos habilidosas vivenciaram, até repousarem para sempre, num certo dia, num certo leito de Hospital. Gratidão eterna, minha mãe querida, por estas mãos tão graciosas e delicadas com que me acolheram. Com o seu carinho e amor elas me empurraram sutilmente para a "Fascinação que é a Vida!"
Mãos que um dia colheram algodão
estão ainda arranhadas
pelos espinhos da colheita.
Mãos que apanharam os frutos de café
são grossas, calejadas da enxada.
Mãos medrosas, inseguras
libertaram-se das correntes
por amar um jovem moreno.
Mãos suaves, ternas
que acariciaram Bernardo por toda existência
que era o amor da sua vida.
Mãos delicadas e sedosas,
acalentaram seus cinco filhos.
Mãos firmes, decididas
costuraram muitas botinas na fábrica de sapato.
Mãos que tremularam, gesticularam
em plena alegria de carnaval.
Mãos entrelaçadas, geladas
mãos dadas com seus filhos
na amargura da ditadura.
Mãos postas sobre o rosto
olhos em lágrimas
a incerteza do futuro.
que fizeram as delícias
de tantos almoços dominicais.
Mãos gratas e generosas
girando a colher de pau no tacho de cobre
fazendo a melhor das delícias,
Mãos artísticas em ziguezague crochetando
tricotando ou pintando
seus panos de pratos.
Mãos experientes sujas de terra
replantando flores em seu jardim
dando cores 'a vida.
Mãos queridas que me afagaram
enlaçaram-me no primeiro abraço de vida.
Mãos que ora me acolhe
seu colo me conforta
me protege.
Mãos trêmulas sobre o peito
que eu ainda as levo ao meu rosto
deixando-me acariciar.
Mãos brancas, apáticas
paralisadas, dolorosas
das picadas da agulha.
Mãos quase inertes, repousam
sobre a minha mão
querendo algo me dizer
implora e nada sussurra
Mãos que (ainda) me aquece
me fortalece
são exemplos da minha vida.
Mãos ingênuas
Mãos de ouro
Mãos de fada
As mãos de minha Mãe!
Poema que fiz,
quando da sua internação no Hospital
e para sempre, suas mãos descansaram!
fevereiro de 2010.
yaradarin








