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segunda-feira, 13 de abril de 2015

Hena Helena

Hena Helena no colo do pai com Angela (à dir.), viúva de Luiz Carlos, e os tios Ary e Lúcia


Seu olhos são duas contas de esmeralda, iguaizinhos aos de sua avó paterna, Julieta. Na nossa família, somente ela herdou esses olhos. Um privilégio. Todas as vezes que olhamos para Hena Helena, impossível não nos lembrarmos de mamãe.

Hena nasceu no dia 5 de abril, enquanto eu me preparava para casar no final do mês, com o homem que eu havia escolhido para ser meu marido. Eu estava envolvida em preparativos, convites de casamento, vestido de noiva, o apartamento onde iríamos morar, eu e Ricardo. Ao mesmo tempo, esperava ansiosamente a chegada da minha sobrinha naquele outono de 1972.

Eu era uma jovem com muitos planos e sonhos. Um deles, ser mãe. Tive essa graça ao conceber   meus dois meninos e a minha menina. Com o tempo, a diferença de idade entre os meus filhos e a Hena ficou pequena. E minhas crianças ainda puderam brincar muito com ela quando se encontravam com outros três primos em reuniões familiares.

                           Hena Helena: dos 15 netos, ela é a única herdeira dos olhos de Julieta

Hena, como eu, nasceu sonhadora. Tinha planos de alçar altos voos e, com 19 anos de idade, alcançou o outro lado do oceano, indo em busca do seu destino. Partiu para um lugar distante e  fincou sua morada em Pádova, na Itália. A terra abençoada de nossos ancestrais maternos. 

Hena nos deixou carentes da sua presença. Foram inúmeras as batalhas que travou até conseguir se estabelecer. E um dia, ela recebeu as bençãos de suas conquistas: seu casamento com Lelo, seus três lindos filhos, a profissão de enfermeira e outras vitórias. Isso faz dela uma mulher corajosa e guerreira. Alessia, sua caçulinha, traz a herança da bisavó em seus olhinhos claros!

Nos orgulhamos de Hena, nos sentimos honrados por ela ter nascido em nossa família, lembrando que meu irmão, Luiz Carlos (com z), sempre me dizia sentir uma imensa felicidade das realizações de sua filha, de seu genro e netos italianinhos.

Hena, minha sobrinha querida: seus sonhos, assim como os meus, não foram em vão!


Feliz aniversário a cada 5 de abril. E que sua alma, sua essência e sua luz da vitória espalhem em teus caminhos o otimismo, a determinação e a coragem para continuar sempre a vencer.


                                                           Alessia e seus olhos claros






Hena meu bem
que será que você tem?
Eu já procurei direito
e não vejo defeito
em você meu bem... (bis)
Eu já procurei direito
e não vejo defeito
em você meu bem...

Luizinho, Fulvio,Luiz Carlos, Hena Helena, Elisa, Angela, Marcelo e Alessia


byyaradarin



quarta-feira, 25 de março de 2015

Esmeralda e Julieta: comadres além da cerca

Esmeralda e Julieta: amizade eterna

Longe vai o tempo... Na época, as divisas entre as casas eram feitas com cercas de madeira. A nossa era com a casa de Esmeralda. Uma vizinha querida e amada por mamãe.
Creio que tinham a mesma idade. De tanto mamãe pressionar, papai não teve outra alternativa, a não ser colocar um portão no quintal para facilitar o entra-e-sai das amigas, tal era a cumplicidade entre as duas. Eu ainda era muito pequena mas lembro-me bem de Esmeralda, nome que eu achava lindo.

Esmeralda vivia em nossa casa. Trazia seu único menino, um deficiente mental, que ela tratava sempre carinhosamente. Esmeralda não tinha a beleza de mamãe. Tinha um semblante sofrido, apagado, mas dos seus olhos também verdes como os de mamãe, emanavam uma luz que eu não sabia distinguir. Qual seria o efeito que me causava? Hoje, eu diria que seria a luz dos anjos emanando vibrações de amor. Essa mulher só podia ser um anjo.

Uma tarde de verão, vi mamãe em lágrimas, se despedindo de Esmeralda. Fiquei observando-as de longe. Mamãe não se conformava com a mudança repentina de Joaquim. O marido de Esmeralda havia decidido retornar à sua cidade natal - longe de Marília. Isso significava um adeus de verdade, nunca mais haveriam de se encontrar. 

Por todo o tempo que viveu, mamãe jamais esquecia sua grande amiga e ainda no seu viver de pouca lucidez, me perguntava: "Será que Esmeralda já morreu, filha?".

Nunca soubemos o motivo exato da sua repentina mudança para Jaboticabal. O que posso dizer é que ela nunca foi esquecida por mamãe. Tampouco, por mim!

byyaradarin