segunda-feira, 27 de abril de 2015

As Boas Lembranças



                         Um casamento feliz se constrói com amor, carinho e compreensão


Lili com 5 aninhos, minha sobrinha e daminha de honra

Que seja eterno enquanto dure

Papai emocionado, conduzindo-me ao altar

Com dedicação e fidelidade dividiremos nossos pensamentos, nossos sonhos 
e até nós mesmos, até que a morte nos separe

                     Eu e Ricardo, saindo da Igreja Santa Rita de Cássia, após o enlace. 
Logo atrás, Eugenia com meu sobrinho Márcio

Uma nova vida: duas vezes mais forte, em todos os sentidos.


A felicidade deve ser segredo, guardada com cada um e só dividida em sorrisos silenciosos, que é pra ninguém roubar. Já a tristeza; dela temos que falar, escrever. Mas hoje, quero somente as boas lembranças e o que ficou de mais sublime entre nós; Rodrigo, Felipe e Gabriella.
27/29 de Abril, faríamos 43 anos de casados.


Gabriella, Luis Felipe e Rodrigo



byyaradarin

domingo, 26 de abril de 2015

Lidice Shall Live

Lidice/ Liditz (em alemão) ~uma aldeia  na República Checa ~

Segunda Grande Guerra,10 de Junho de 1942

Adolf Hitler, político alemão nascido na Áustria (1889-1945) liderava o bloco alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Em maio de 1942- combatentes da resistência tcheca atacaram o alemão Reinhard Heydrich, governador representante do Protetorado da Boêmia e Moravia, em uma emboscada perto da cidade de Praga. Reinhard veio a falecer, em 4 de junho, em decorrência dos ferimentos recebidos. Na manhã primaveril de 10 de Junho, em retaliação àquele ataque, os alemães destruíram a cidade tcheca de Lídice.

SS nazista ReicProtector Reinhard Heydrich

Os 173 homens da aldeia acima de 16 anos foram executados. Mulheres juntamente com mais de 100 crianças são deportadas para o Campo de Concentração. A aldeia dos camponeses foi literalmente demolida por explosivos. Nada restou, nada, nem um só  fio de cabelo. Lidice fica totalmente destruída e sem identidade. Banida dos mapas da Europa torna-se um símbolo da crueldade nazista  durante a guerra.


Escola queimada em Lidice.

A história de Lídice é dramática, mesmo após 73 anos do massacre bárbaro. Dor que cala fundo em nossa alma ao relembrar tantas vidas inocentes ceifadas; crianças arrancadas das mãos de suas mães, que com certeza, imploraram por clemência, em vão! Jamais haveremos de suprir tantas vidas e tantas dores. Tamanha crueldade que tempo algum  jamais apagará de nossas memórias.


Lidice, foi reconstruída e ampliada após 3 anos do massacre, entre os anos 1945-1949. Reconstruída pelos ingleses a nova Lidice está a uma distância de 700 metros da área onde o vilarejo foi destruído. No local de origem está o Campo Santo, marcado por um memorial com as 80 crianças mortas, onde queima uma chama eterna!

Casas de famílias queimadas

Terminada a guerra foram devolvidas apenas 153 mulheres e 17 crianças sobreviventes da invasão dos alemães. Todo 10 de Junho, o mundo deveria sinalizar um minuto de silêncio  em homenagem a estes seres inocentes cruelmente dizimados da face da Terra. 

Memorial  em homenagem às 80 crianças dizimadas  "Campo Santo"

"Dia  do Massacre em Lidice", pessoas vindas do  mundo inteiro levam flores, acendem velas e fazem orações em suas memórias. São com flores, que se devolvem  bombas.
Hoje, eu visto Luto! Hoje, eu choro Lidice!

Made in Praga Film



Sábado, 13 de junho 2015 às 10:00 em UTC+02

73rd Lidice Commemorative Event

 — em Lidice Republica Tcheca






byyaradarin

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Oficina de Arte Cor da Terra- Iracema Almeida


Quem passa pela Rua Petrópolis, no Guarujá, e vê o ateliê Oficina de Arte Cor da Terra, da pintora Iracema Almeida, não consegue somente apreciar a sua arte. A emoção que se sente ali é transbordante, diante da beleza de obras como suas já famosas baianas - todas com vestidos de crochê, num colorido infinito criado pelas mãos da artista.

Iracema se dedica a pintar o nosso Brasil. Suas pinceladas transformam singelas cenas brasileiras em belíssimas obras de arte. As telas da artista trazem bananeiras, coqueiros, cocos verdes, palmeiras... onde cantam tiês ou tizius, pássaros do nosso litoral paulista! Autodidata, a artista plástica nascida no interior paulista revela em suas obras a beleza e a sensibilidade da sua alma. 

Ganhadora de vários prêmios acadêmicos, Iracema Almeida em seu ateliê, 


Iracema também traz consigo a linguagem poética em cada detalhe da sua arte, onde ela  expressa seus mais belos sonhos coloridos misturados 'a realidade e no verso de cada tela ela exprime os seus sentimentos escrevendo um poema. Sendo minha irmã querida e artista maravilhosa, ela é meu motivo maior de orgulho!
                                 Baianas coloridas e a paixão de Iracema pelos tucanos

Hoje, o casal Iracema e Hugo estão  comemorando um dia especial, daqueles que nunca se apaga da memória. O aniversário de casamento.

Felicidades para vocês, pelos  seus 49 anos de união.

byyaradarin

terça-feira, 14 de abril de 2015

Quando Analiso A Conquistada Fama

                                        Julieta e Bernardo um amor além da eternidade                     

                                                             Quando analiso
a conquistada fama dos heróis
e as vitórias dos grandes generais,
não sinto inveja desses generais
nem do presidente na presidência
nem do ricaço em sua vistosa mansão;
mas quando eu ouço falar
do entendimento fraterno entre dois amantes,
de como tudo se passou com eles,
de como juntos passaram a vida
através do perigo, do ódio, sem mudança
por longo e longo tempo atravessando
a juventude e a meia-idade e a velhice
sem titubeios, de como leais
e afeiçoados se mantiveram
- aí então é que eu me ponho pensativo
e saio de perto às pressas
com a mais amarga inveja.
                                                                     
                                                                   Walt Whitman         
                                                                 

byyaradarin                                                                                                                                                    

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Hena Helena

Hena Helena no colo do pai com Angela (à dir.), viúva de Luiz Carlos, e os tios Ary e Lúcia


Seu olhos são duas contas de esmeralda, iguaizinhos aos de sua avó paterna, Julieta. Na nossa família, somente ela herdou esses olhos. Um privilégio. Todas as vezes que olhamos para Hena Helena, impossível não nos lembrarmos de mamãe.

Hena nasceu no dia 5 de abril, enquanto eu me preparava para casar no final do mês, com o homem que eu havia escolhido para ser meu marido. Eu estava envolvida em preparativos, convites de casamento, vestido de noiva, o apartamento onde iríamos morar, eu e Ricardo. Ao mesmo tempo, esperava ansiosamente a chegada da minha sobrinha naquele outono de 1972.

Eu era uma jovem com muitos planos e sonhos. Um deles, ser mãe. Tive essa graça ao conceber   meus dois meninos e a minha menina. Com o tempo, a diferença de idade entre os meus filhos e a Hena ficou pequena. E minhas crianças ainda puderam brincar muito com ela quando se encontravam com outros três primos em reuniões familiares.

                           Hena Helena: dos 15 netos, ela é a única herdeira dos olhos de Julieta

Hena, como eu, nasceu sonhadora. Tinha planos de alçar altos voos e, com 19 anos de idade, alcançou o outro lado do oceano, indo em busca do seu destino. Partiu para um lugar distante e  fincou sua morada em Pádova, na Itália. A terra abençoada de nossos ancestrais maternos. 

Hena nos deixou carentes da sua presença. Foram inúmeras as batalhas que travou até conseguir se estabelecer. E um dia, ela recebeu as bençãos de suas conquistas: seu casamento com Lelo, seus três lindos filhos, a profissão de enfermeira e outras vitórias. Isso faz dela uma mulher corajosa e guerreira. Alessia, sua caçulinha, traz a herança da bisavó em seus olhinhos claros!

Nos orgulhamos de Hena, nos sentimos honrados por ela ter nascido em nossa família, lembrando que meu irmão, Luiz Carlos (com z), sempre me dizia sentir uma imensa felicidade das realizações de sua filha, de seu genro e netos italianinhos.

Hena, minha sobrinha querida: seus sonhos, assim como os meus, não foram em vão!


Feliz aniversário a cada 5 de abril. E que sua alma, sua essência e sua luz da vitória espalhem em teus caminhos o otimismo, a determinação e a coragem para continuar sempre a vencer.


                                                           Alessia e seus olhos claros






Hena meu bem
que será que você tem?
Eu já procurei direito
e não vejo defeito
em você meu bem... (bis)
Eu já procurei direito
e não vejo defeito
em você meu bem...

Luizinho, Fulvio,Luiz Carlos, Hena Helena, Elisa, Angela, Marcelo e Alessia


byyaradarin



sexta-feira, 10 de abril de 2015

Adoráveis Férias de Julho



                                          Foto tirada enquanto brincávamos no terreiro

Era sempre mamãe que nos deixava na estação ferroviária de Marília, quando íamos de férias passar uns dias na casa da minha madrinha Celeste, prima de papai, em Paulópolis. Cidadezinha a 50 minutos de Marília. Mamãe nos acomodava nos bancos do vagão, enquanto ia fazendo aquele sermão de bom comportamento e obediência, pelo tempo que estivéssemos sob os cuidados da madrinha. Em seguida, despedia dos cinco filhos com um beijo sutil. Eu não tinha noção de saudade, porém, sentia um aperto no peito cada vez que me despedia dela. Sabia que ao anoitecer, eu me lembraria de mamãe com lágrimas nos olhos.

Paulo,o capataz do sítio já nos esperava na estação. Sempre pronto para qualquer ordem, era um empregado de confiança. Subíamos todos na carroça- sim, naquele tempo era o transporte do sítio até a cidade. Seguíamos aos solavancos por um longo trecho de terra batida até a chegada do sítio. Paulo conversava alegremente com meus irmãos, elogiava-os, dizendo que haviam crescidos desde a última vez que ali estiveram. Eu apenas observava-o, enquanto ele ia contando as façanhas de Ebreu, um lindo cavalo veloz, de pelo macio e brilhante que madrinha acabara de comprar.

Nossa chegada era comemorada com muita alegria pelas primas Marlene e Madalena. Marinalva, a terceira filha de madrinha era ainda um bebezinho. Finalmente, chegávamos para alegrar o silencioso sítio. A gente podia sentir o carinho e a dedicação a todos nós. Não deveria ser fácil para nossos primos nos receber com tanta disposição, afinal, um batalhão.

Os dias ensolarados e sem vestígios de nuvens passavam lentamente. Brincávamos com nossa prima Madalena em perfeita harmonia. Saíamos a andar a cavalo,por aqueles roçados, sem ter hora para voltar. Eu sempre disputava com o meu irmão Luíz  o lugar na garupa do cavalo. E lá íamos nós, sempre aos pares e quando voltávamos do passeio trazíamos bananas, limões e laranjas colhidas do pé.

Minha prima Marlene Leal- Locutora da Rádio Club de Marília

Marlene Leal, sempre teve o dom de locutora de rádio e anos mais tarde viria a trabalhar na Rádio Clube de Marília. Sendo a mais velha, passava horas com Mylton e Iracema em leitura de livros e ouvindo músicas. Minha madrinha Celeste e primo Otto, saiam cedinho para a lavoura, onde plantavam amendoim e batata.


Os pés descalços dava-nos a liberdade de correr pelo quintal de terra, pular amarelinha, onde tropeçávamos entre as galinhas, porcos e cachorros. E assim, passávamos a manhã brincando e só nos dávamos  conta do tempo quando de longe sentíamos aquele delicioso cheiro de feijão temperado com bacon, feito no fogão 'a lenha. Então era chegada a hora de todos sentarem-se 'a mesa. Parecia um dia de festa. 'A refeição, não podia faltar a farinha de mandioca, costume nordestino, que me fazia lembrar de papai.

Um certo dia, Madalena vendo o Ivo despejar farinha no seu prato, sem disfarçar, comentou:- Sabia- todas as vezes que vocês vêm, o saco de farinha acaba! Bastou para que o Ivo ficasse ressentido e nunca mais quisesse voltar ao sítio.

Escurecia, as lamparinas eram acesas, pois não havia eletricidade e logo após o jantar, sentávamos no terreiro para apreciar o luar. Era um momento favorito, onde o céu estrelado desabrochava dentro de mim sentimentos que eu não conseguia definir, mas a beleza da música que ouvíamos distante trazia-me boas recordações e saudade de casa.

O instante da partida era sempre triste para todos. Porém, as lembranças dos gestos de ternura, simplicidade que se misturavam a sentimentos de amorosidade de todos, nos afagava a alma e voltávamos prontos para reiniciar mais um semestre escolar.

De longe, eu procurava  por mamãe que já nos esperava na estação, enquanto o trem apitava na curva, já próximo a Marília. E lá estava ela, sorridente, a nossa espera.
Este era o melhor momento, onde o meu coração batia feliz!


byyaradarin

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Edy, vestida para casar

Mylton (em pé), Edy (de grinalda), Iracema (de "chapéu"), Ivo e eu (deitada): palco improvisado no quintal


- Uma cobra, um rato?

A expressão de Mylton era de espanto, enquanto apontava para algo que só existia em nossa imaginação.

- O que teria ele visto de verdade, então?

Para nós, ele estava fazendo apenas uma pose fotográfica, porque tudo não passava de uma brincadeira. Edy e Mylton formavam o casal de noivos; Iracema e Ivo, os padrinhos. 

"Vestida para casar" era uma diversão inocente para os meus 6 anos. Naquela época, eu jamais imaginaria o que a vida estava me preparando... Tamanhas responsabilidades viriam. E assim, ficávamos horas nesse teatro.

Filha de dona Zizinha, nossa vizinha, Edy era uma presença constante em nosso lazer. 
Uma menina de sorriso generoso que contagiava a todos.Tínhamos a mesma idade e a mesma inocência. Mamãe e dona Zizinha, amigas já há bastante tempo, costumavam se visitar com frequência. Eram momentos prazerosos, de muita conversa entre as amigas, enquanto as crianças se divertiam nos quintais ou mesmo na rua de chão batido.

Bem à tardinha, era servido um delicioso chocolate quente, café e bolachinhas caseiras.
Para mim, o melhor momento da visita, quando nossos olhos se arregalavam diante da tentação daquelas guloseimas. Esperávamos ansiosos todos se sentarem, muito bem comportados à volta da mesa, repleta de coisas apetitosas.

Dona Zizinha, uma senhora de porte alto, de uma certa elegância ao falar, traços delicados que a cada sorriso mostrava seus alvos dentes. Uma negra bonita, mãe de Valter, Helena e da querida Edy. Tinha uma  presença calma, feito bondade, que se expressava na acolhida de todos nós.

Certa vez, ao chegar em sua casa, fui logo pedindo água para beber, mania que eu tinha de, toda vez, quando chegava na casa de alguém, fazer isso. Mamãe já me olhava com seus lindos olhos verdes de uma forma austera. Mas isso não bastava para me conter.

- "Sirva-se", disse sorrindo a dona da casa. "O filtro você já sabe onde se encontra".
Quando dei o primeiro gole d'água, senti um amargo ácido na boca que me fez perder o fôlego e vomitar em seguida. O que teria dentro daquele copo (!), me indaguei sozinha.

Rapidamente, olhei espantada para dona Zizinha que conversava animadamente com mamãe e, com certeza, não perceberia o que estaria acontecendo comigo naquele momento. Só Edy percebeu o meu constrangimento, tratando de lavar o copo imediatamente e, rindo, disse-me que era sal de fruta Eno, antiácido estomacal que seu pai tomava diariamente, devido a fortes dores no estômago.

Definitivamente, esse fato serviu-me de lição. Acabei com a tal mania de pedir água na casa das pessoas - porém, essa experiência desagradável me tornou intolerante a esse pozinho branco por toda a minha vida.

Dona Zizinha jamais soube desse lance, nem mamãe!


byyaradarin