terça-feira, 26 de maio de 2015

Um ano sem Luiz Carlos

*31 de Janeiro de 1946
+26 de Maio de 2014


Lu querido irmão,
estava aqui me lembrando;- quando crianças, brigávamos como todo irmão briga e querendo bater em mim você já sabia que sairia em desvantagem.  Sim, eu corria para o colo do meu protetor pedindo socorro e Myltainho me protegia de verdade. Ah, você ficava furioso porque não conseguia me pegar e prometia;- Você me paga! hehee.(que mamãe não nos vissem brigando também, se não, apanhavam os dois.) Bem, como a caçulinha que sou, alguém precisava defender-me de vocês três... (perdoe-me,meu irmão)
Luiz Carlos aos 4 anos
Eu tenho as melhores e mais queridas lembranças de Luiz Carlos, meu quarto irmão. São muitas, e como era gostoso lhe provocar quando eu dizia que o seu nome era com z no final e não com s. Ficava horas nessa provocação. Me lembro que também eu não conseguia pronunciar corretamente a palavra ônibus,(eu dizia ômbus) e você pacientemente corrigia-me até perder a paciência ;- vc não sabe falar Ô N I B U S?? e deixava-me falando só.
Foi nosso pai quem lhe deu o nome em homenagem 'a Luiz Carlos Prestes, companheiro e líder comunista. 

Em pé: Ivo, Iracema e Mylton /Sentados: Luiz Carlos e Eu (foto tirada em estúdio)

Com tão pouca diferença de idade, parecíamos irmãos gêmeos e acredito que por isso estávamos sempre juntos.Só não compreendia quando papai todo orgulhoso nos apresentava 'a alguém dizendo:- Olha, os dois têm somente 11 meses de diferença! 

Dr.Reinaldo Machado, amigo e companheiro do partido comunista era o médico de mamãe. Felizmente enxergava além de seu tempo e convicto disse ao meu pai 'as vésperas de mamãe ter o seu quinto filho :- Bernardo, a mulher não foi feita só para procriar. Este será o último parto de Julieta:- ufa, felizmente vim ao mundo! Creio que teríamos muitos mais irmãos  caso não fosse a intervenção do médico amigo.

Luiz Carlos e Angela em seu sítio
Tempos felizes
Nossa viagem de mudança definitiva 'a São Paulo, lembro-me da cumplicidade em nossos olhares. Luiz e eu, não sabíamos o que nos esperava na Capital. Deixávamos para trás Marília, uma cidade amada onde vivíamos tão felizes, mas que o destino da política autoritária 'a época nos impunha uma dolorosa partida. Felizmente o tempo foi pródigo conosco. Pudemos sonhar e concretizar muitos dos nossos sonhos. Trabalhamos duro e ao mesmo tempo estudávamos. Adultos pela imposição do destino, Luiz Carlos, um rapaz que lembrava meu tio Miro, pela sua beleza, olhos claros e muita simpatia, já andava distante de mim, em outras companhias, porém nossa irmandade permanecia.

Família toda reunida
Da direita para esquerda: Angela, Luiz Carlos, Da.Peregrina e María Helena(mãe de Hena Helena)
"a frente :Luizinho,Marcelo, Hena e Laiz

Luiz Carlos casou-se por duas vezes. Do primeiro casamento com Maria Helena nasceu Hena Helena, hoje morando em Pádua-Itália; e os filhos Laiz, Luiz Carlos, Marcelo e Tamires; do seu segundo casamento com Angela Perna. A chegada dos netos deu-lhe a alegria tão desejada de ser avô.
Todo dia 31 de Janeiro,seu aniversário, eu cumprimentava-o sem deixar entretanto de brincar:- Lu, agora você já está mais velho do que eu. Brincadeira que tínhamos por hábito desde criança e nos divertíamos muito com isso a cada ano que passava.

Casal Luiz e Angela e sua família reunida
Hoje estou forte; cresci e aprendi o suficiente para saber que esta vida `e passageira, que não conhecemos os planos de Deus, porém sei que tenho de aceitar a vontade do Senhor.  
Essa é a nossa vida aqui na Terra e assim sempre será. Luiz (com Z) meu irmão querido, deixaste em mim o vazio da sua ausência, das lembranças gostosas da nossa infância, dos nossos telefonemas e triste agora, partiste sem um "alô", sem de mim se despedir!


Luiz Carlos e sua caçula Tamires

byyaradarin

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Ivo Bernardo

Ter um irmão querido é ter para sempre uma infância lembrada com segurança em outro coração. Ivo foi um menino de uma teimosia ímpar. Gostava mesmo de brincar na rua com os amigos da sua idade, jogava bola, andava de carrinho de rolimã, e tantas outras brincadeiras de criança. Divertia-se com jogos de botão de mesa e Ping Pong. A alegria tomava conta de casa quando a turma chegava para jogar e alí ficavam horas nas brincadeiras. Meus irmãos sempre tiveram a liberdade de trazer os amigos em casa e por isso ela vivia repleta de gente. Lembro-me que alguns amigos ficavam até o anoitecer, ora brincando, ora estudando.



Mamãe contava que Ivo, meu terceiro irmão, dera muito trabalho a ela desde pequenino. Adorava duas coisas:- andar de botinas e sem roupa. Quando mamãe percebia sua nudez, saía buscando suas roupas jogadas em algum canto e o vestia. Teimoso que era, voltava a ficar nu novamente...Com certeza, levou bons pares de  chineladas de mamãe.

Ivo Bernardo aos 5 anos

Ivo era o mais alto dos irmãos e disso se envaidecia. Até hoje traz o charme da juventude, a clássica elegância que fizeram muitas jovens delirarem de paixão. Creio sim, que muitas sofreram de amor por ele. Mas Ivo sempre muito calado, amava do seu jeito.

Fascinado por basket, quando cursou o colegial, disputou com o time do Colégio Estadual de Marília, vários campeonatos do interior pela Alta Paulista e outros Estados. Ganharam inúmeras medalhas e toda a volta para casa exibia orgulhoso suas conquistas. Nessa época, também foi presidente do Grêmio Estudantil do mesmo Colégio, onde realizou vários eventos dentro do Centro Acadêmico. Defendeu também os interesses dos alunos menos favorecidos. 
Charme irresistível aos 18 anos- Marília.

Um fato acontecido com meu irmão ainda me traz  lembranças tristes. Certa tarde, enquanto brincava no Parque Infantil da Prefeitura, Ivo ao descer de um balanço sofreu uma forte batida na testa de um outro balanço que veio em sua direção; socorrido imediatamente e pré-restabelecido foi para casa sem que imaginássemos o que viria pela frente. 

Não demorou muito para que manifestasse em meu irmão os transtornos daquela batida. Ivo começou a ter sérios problemas de convulsão. Em Marília, ainda não havia médicos qualificados para tal problema; foi recomendado que o levasse para a Capital a fim de um tratamento especializado. A cada mês, mamãe partia para São Paulo levando meu irmão, nos deixando em casa aos cuidados de uma empregada e de papai, que chegava somente 'a noite. 

Mamãe ficava na casa dos meus avós Antonio e Percilia que moravam no bairro do Sumaré- e assim, aproveitava para rever toda família. Aquela ausência infinita de minha mãe, deixava-me aflita; - Como eu gostaria de estar junto a eles. Em cada beijo de despedida eu sentia que mamãe se entristecia em ter de nos deixar, porém não havia outra alternativa. Foram anos a fio de cuidados especiais a espera da cura do meu irmão.

Certa vez, num domingo ensolarado e frio, eu ví mamãe de um lado para o outro entre os quartos e cozinha. Parecia-me aflita e notei uma certa apreensão no rosto de papai. 
Eu não entendia o que se passava e minha angústia aumentava cada vez mais. Ivo não passava bem. Acometido por uma forte convulsão o clima gerou um caos. Não esqueço o olhar  intranquilo de papai quando gritou em direção 'a mamãe:- seu filho vai morrer! 
Fez-se um breve silêncio no interior da nossa casa, todos ficaram aflitos e mudos, quando repentinamente, meu irmão respirou, recobrando a lucidez.

Mamãe chorava de alegria e já podíamos ver em seu semblante o conforto e o alívio que ela nos transmitia. Após aquele domingo, Ivo nunca mais teve outras convulsões e finalmente, curou-se para sempre. Por várias vezes, lembrava desse triste fato tentando entender o significado da sua melhora repentina e cheguei a uma conclusão; seria um milagre recebido?

Ivo Bernardo, hoje, nos seus 71 anos- São Paulo

Sem que antes eu nunca soubesse  e para minha surpresa, alguns anos mais tarde mamãe pediu que a levasse 'a Igreja de Nossa Senhora Aparecida. Confessou-me que tinha devoção por Ela desde aquele domingo de agonia. Havia suplicando-lhe cura para o meu irmão. Já não havia mais dúvidas para mim;-baixando a cabeça, murmurei baixinho:
-Sim, foi um milagre a cura do meu irmão, Graças a Deus!


Ivo, tendo 'a esquerda seus filhos Paulo e Cristiane. Atrás, Carolina sua primogênita

20 de Maio 
*Feliz aniversário, meu irmão! 
Em toda família é assim, a gente briga na infância mas vai crescendo e percebe que os irmãos são os verdadeiros amigos. Por isso hoje eu quero desejar todas as coisas boas do mundo para você e lembrar que poderá contar sempre comigo, nos bons e maus momentos, assim como eu pude sempre contar com você. Viva intensamente todos os dias, dance muito, ame muito, comemore sempre como todos os muitos outros dias que ainda estão por vir. 

yaradarin

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Nossa Senhora de Fátima

Neste dia em que se comemoram os 98 anos da aparição de Nossa Senhora em Fátima, vamos juntos numa grande corrente de oração mentalizar o nosso agradecimento à Mãe Maria por todas às bençãos recebidas, por todas as graças alcançadas e pela proteção diária que nos concede com o Seu Amor.



AVE MARIA - KATIA GUERREIRO

Mãe Maria,
Nos abençõe neste dia, nos conceda Vossa Paz e Vosso Amor,
Somos gratos por tudo que nos faz, 
Abençoa Mãe Amada toda a nossa família,
Todos os nossos amigos,
Todas às pessoas ao redor do Mundo,
Cura a todos nós, no corpo físico e na alma,
                                                  Madonna   /Andrey Shishkin -1960
Liberta Mãe querida a todos nós de todas as misérias,
De todas as dores, nos auxiliando em nosso processo evolutivo,
Que sejamos todos Unos Contigo neste momento Mãe,
Para sermos dignos do Vosso olhar bondoso e sereno,
E dignos do Vosso amparo,
Muito Obrigado Mãe querida.
Amém
N.Senhora de Fátima e os três pastorinhos
A aparição de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos - Lúcia de Jesus (10 anos), Francisco (9 anos) e Jacinta (7 anos), aconteceu pela primeira vez a 13 de maio de 1917,num campo da Cova de Iria, na freguesia de Fátima, em Ourém. No mesmo ano, Nossa Senhora de Fátima volta a aparecer aos três pastorinhos, a 13 de maio, 13 de junho, 13 de julho, 13 de setembro e 13 de outubro.
Na última aparição, a 13 de outubro, estavam presentes 70.000 pessoas. Nossa Senhora disse aos pastorinhos que era a "Senhora do Rosário" e pediu a construção de uma capela em sua honra. Depois da aparição, todos os presentes observaram que o sol, assemelhando-se a um disco de prata, podia fitar-se sem dificuldade e girava sobre si mesmo como uma roda de fogo, parecendo precipitar-se na terra. Em 1919 foi construida a Capelinha das Aparições, no local onde Nossa Sra. apareceu aos três pastorinhos.
Santuário Nossa Sra. de Fátima- bairro do Sumaré

byyaradarin

terça-feira, 12 de maio de 2015

Caro amigo Valter

                        Em pé: Valter ao centro.Do seu lado direito Mylton e Ivo e lado esquerdo Iracema e Luiz Carlos. 
Sentada: Eu com minha adorada boneca de estimação

Era uma figura! Valter, (Varte como a gente o chamava) bem mais velho que meu irmão Mylton, era o amigo mais assíduo de nossa casa em Marília, na Rua Santa Izabel. Segundo filho de dona Zizinha, nossa vizinha e amiga, era muito espirituoso e adorava aprontar brincadeiras de mal gosto com as pessoas. Papai sempre dizia: -Um dia você vai se dar mal, moleque! E ele, debochando, sorria dando de ombros, mostrando seus dentes brancos de fazer inveja.

Certa noite, já bem tarde, alguém bateu na porta de nossa casa. Papai ouvindo aquela forte batida por várias vezes, assustou-se aquela hora da noite e de dentro de casa gritou:- Quem está aí?
Ninguém respondia. Cismado e já preocupado pois continuavam a bater e a mexer na maçaneta da porta, papai levantou-se da cama, apanhou a sua espingarda de caçador que ele trazia por perto e foi correndo até a porta pensando que pudesse ser um ladrão. Rapidamente abriu-a e com a arma apontada para frente foi vasculhando para todo os lados. Não vendo nenhuma pessoa, novamente perguntou:- Quem está ai? Cachorros latiam e uivavam. Na escuro absoluto da noite sem que ninguém aparecesse, papai deu um tiro de espingarda para o alto.


Repentinamente do jardim por trás de um grande vaso de mamãe, Valter ressurgiu na escuridão, todo assustado, olhos arregalados, lábios trêmulos e como um tiro de canhão correu em disparada rumo 'a sua casa. Papai de pijama corria atrás dele pelo quintal com a espingarda em punho, gritando:- Seo moleque, já te falei que um dia eu te pegava... Mamãe desesperada, mãos na cabeça, gritava da varanda:- Pare com isso Bernardo, você quer matar o filho da Zizinha? O alvoroço foi geral. Vizinhos acordaram querendo saber o que se passava. Levantamos todos da cama assustados.
Felizmente, papai não conseguiu alcançá-lo. Ele só queria mesmo assustá-lo. Estava cansado das brincadeiras de Varte, reclamou baixinho.


Por um longo período, Valter  ficou sem aparecer em nossa casa com receio de meus pais. Porém, tudo não passou de uma brincadeira infantil e papai o perdoou. Essa história verídica nos valeu de gostosas gargalhadas por muitos anos.

Depois que mudamos para o outro lado da cidade, nunca mais vimos o nosso amigo. Os anos se passaram e somente viemos a nos reencontrar em São Paulo, quando já estávamos todos adultos, Valter havia perdido o seu pai e a família resolveu se transferir para a Capital. Ainda bem, pois foi possível vê-los mais algumas vezes.
A cada encontro, relembrávamos com saudades esse fato que marcou nossas vidas para sempre.
E Valter dizia sorrindo lembrando de papai:- Nunca mais fiz zombaria daquele tipo com ninguém.
Finalmente, havia aprendido a lição.

-Valter, por onde andará você?

byaradarin

domingo, 10 de maio de 2015

Ana Carolina

     Ana Carolina-4 anos e sua prima Gabi-3 aninhos
em frente a casa dos avós paternos- Vila Caiçara

Ana Carolina é primogênita de Ivo Bernardo, meu querido e terceiro irmão. Carol, como costumamos chamá-la é minha quarta sobrinha, muito parecida em gênio com o pai. Traz no semblante delicado os bonitos traços de sua mãe. De gênio forte desde criança, sempre soube lutar diante das dificuldades da vida.

Ivo Bernardo e  sua filha Ana Carolina

Formosa, inteligente, casou-se e foi mãe muito cedo de um lindo menino chamado Igor.
 
Carol e seu primeiro filho Igor

Carol passou por inúmeras provações e obstáculos. Batalhou muito para alcançar certos objetivos sempre acreditando que os desafios são estímulos para vencer na vida.

10 de Maio- Dia do seu Aniversário
                                             
Ana Carolina, mulher que cresceu guerreira, sempre indo além da superação. Carol teve mais dois filhos: Giovanna e Vinícius do seu segundo casamento.

Hoje, Carol e os filhos, Igor com 18 anos, Giovanna de 5 anos e Vinícius de 3 anos

Depois de algum tempo, aquela menina que sempre lutou pela sua felicidade e a dos seus três filhos, encontrou em Alex Cirillo, seu porto seguro. Com habilidade em jardinagem, cuida amorosamente das suas plantas e ainda revelou-se uma excelente dona de casa, decoradora e artista-artesã. São todos lindos os quadros com montagens de fotos dos parentes que ela ornamenta a sua casa. 

Carol e seus trabalhos artísticos

Hoje é o seu dia, Carol. Parabéns em dose dupla e com ternura presto-lhe essa carinhosa homenagem !! Tenho muito orgulho de ser sua tia-madrinha!


Que você supere em cada gesto, seu ânimo e a coragem de vencer cada etapa de sua vida. 
Só não tenha medo em demonstrar amor.

                                                         Alex e seus dois filhos ao centro. 
                                        Carol , tendo 'a esquerda Giovana e 'a direita Vinícius

E nos finais de semana, todos reunidos, a alegria das crianças completam a felicidade do casal. 
Parabéns, querida sobrinha e afilhada, em vê-la de verdade, tão poderosa mãe e mulher!

byyaradarin

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